Cacto
   A importância do último dia

Tentei publicar o texto abaixo na Zero Hora, em resposta ao que o David Coimbra escreveu no dia 26/6, mas me informaram que, caso veiculassem uma resposta direta a um colunista, estariam abrindo um precedente que complicaria tudo. O David tem um espaço potente, o que torna o debate desigual. Pois bem, 17 leitores, apresento aqui o artigo que enviei para ZH, mas não foi publicado.

 

David Coimbra sentenciou em seu texto “O primeiro dia”, publicado por Zero Hora (26/6): “Conteúdo não é exatamente o forte da faculdade de Jornalismo”. Mais adiante, ao comentar sobre temas previstos nas ementas das disciplinas, tentou formar um juízo: “É que tudo isso consta no currículo do curso. Só que nada disso é de fato ensinado. As faculdades de Jornalismo são um quase logro. Como, aliás, diversas outras fora das áreas técnica e científica”.

Leciono desde 1994, e o convívio diário com universitários me dá uma relativa experiência sobre o que se passa na vida deles. Se não bastasse, há a minha própria vivência como aluno de Jornalismo. Resultado: li o texto do David sem encontrar eco de suas palavras na realidade.

O texto dele se soma a uma série de manifestações motivadas pela decisão do Supremo Tribunal Federal que, recentemente, acabou com a exigência do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão. Esse debate é fundamental e ainda deve render outros capítulos, mas neste texto pretendo discutir o desprezo pela formação superior.

É claro que nem todos os alunos aproveitam a graduação em sua plenitude, que há portadores de diplomas incapazes de atuar profissionalmente e que nem tudo se processa de maneira ideal nas diversas instituições de ensino superior. Esse cenário, no entanto, não deveria ser mote para a generalização do David, muito menos a sua experiência pessoal. Até porque, se ele tem 46 anos – conforme revela o blog que assina –, imagino que ingressou na faculdade no início dos anos 1980. Ou seja, não usufruiu do impacto que a consolidação da pesquisa e da pós-graduação provocou nos cursos de Comunicação e de Jornalismo.

Por acompanhar alunos do princípio ao término de sua formação, posso afirmar: a universidade impacta substancialmente a vida de um estudante. Para não incorrer no equívoco da generalização, reconheço: a transformação não acontece com todos, mas o malogro é menor do que o total de experiências bem-sucedidas.

Se o aluno está disposto a crescer, se mergulha nas diversas possibilidades do processo de ensino-aprendizagem, se busca ampliar seu repertório para além do previsto nas ementas das disciplinas, se tensiona esse mesmo repertório de maneira crítica, se, sobretudo, o aluno quer aprender, a universidade é o ambiente vocacionado e propício. Sozinha, no entanto, ela fracassa. O aprendizado resulta da combinação entre a decisão do universitário de querer aprender e a qualidade da instituição.

Por último, lembro que a transformação decorre não apenas do processo formal de cursar uma graduação, mas do conjunto de experiências em um dos mais intensos períodos da sua existência. Os alunos oscilam da insegurança à confiança, compartilham afetos, se desentendem, fazem descobertas. Por tudo isso, pelo conhecimento adquirido, pela vertigem que a vida provoca, mais importante do que a impressão de um primeiro dia de aula, interessa saber o que se passa na cabeça de um universitário no último dia de sua primeira trajetória acadêmica.

Vitor Necchi é jornalista e professor da Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS.

 

O texto do David pode ser acessado aqui.

 



Escrito por Cacto às 00h55
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   Meu umbigo é sexy e a moda se inspira em mim

Como o último texto teve um caráter, digamos, doméstico, aprofundarei esta vertente das postagens colocando mais fotos de gatinhos. Do baú da família, vieram dois monóculos, cousas antiguinhas que serviam para mirar fotografias. As duas peças estavam meio baleadas, como se pode verificar aí embaixo:



Mas o Fernandão Ximitão, amigão e retratista dos mais talentosos da crosta terrestre, deu um trato nas imagens escondidas nos modernosos aparelhinhos. Resultado: vocês, diletos e fieis 17 leitores, poderão saciar as mais recônditas e inauditas pulsões por me ver em trajes quase mínimos. Confirmem se eu era ou não era um galã mirim das águas de Mariluz:

Não sei bem ao certo o que minha irmã mirava ao lado, mas eu olhei para a câmera, confiante de que meu umbigo mui sexy causaria furor no público.

Alguns anos antes, quando eu ainda era um jovem comportado que sonhava em voar, ensaiei meus primeiros passos como piloto em um possante modelo que aterrissou na calçada da minha família. Confiram a pose do comandante:

Essa foto permite confirmar que não é de agora que eu gosto de padronagem xadrez. Sintam o charme do casaco.

Antes que eu revele mais fotos, encerro por aqui a sessão.



Escrito por Cacto às 10h29
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