Cacto
   No detalhe é que o todo se faz e o sentido aparece

Vocês já repararam naqueles brotos de samambaia que se desenvolvem em alguma fresta de muro? Adoro isso! Eu sei que pode parecer maluco, mas quando vejo o talo verde se desenrolando a partir de um reboco, eu paro e observo. Na verdade, qualquer planta que desafie a aridez de uma parede já me fascina, mas o tipo que mais encontro são pequenas samambaias, quase sempre daquelas mais fuleirinhas que se espalham em qualquer jardim. Alguma engenharia da natureza faz com que o esporo se embrete no vão. O vento, um pássaro, quem sabe formigas... Basta uma reentrância e um pouco de terra acumulada para a vida seguir seu curso. Já vi mudas viçosas saindo de canos que escoam água de sacadas. Outras menores na linha que separa um degrau do seu vizinho.

Talvez eu devesse sair garimpando estas diminutas intervenções da natureza em meio ao concreto e montar um grande mosaico. Nada programado, e o acaso seria o produtor das fotos. Na dobra de uma esquina, na imensidão urbana de uma parede, das entranhas de um cano velho ou na intimidade de um degrau eu poderia flagrar o detalhe e torná-lo tão significativo a ponto de parar pelo simples propósito de contemplá-lo e admirá-lo.

Cada vez mais acredito que no detalhe é que o todo se faz e o sentido aparece.



Escrito por Cacto às 11h05
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