Cacto
   Marlon Brando, rogai por nós!

Tá nos jornais: as empresas que querem cobrir o território gaúcho com lavouras de eucalipto, acácia e pinus, graças ao apoio irrestrito do governo do Estado, ganharam a queda de braço com os ambientalistas. Ontem, o Conselho Estadual do Meio Ambiente aprovou o chamado zoneamento florestal, que define limites (ah?) para o plantio industrial de árvores. Em nome da verdade, é bom que se diga que o documento vai implantar uma espécie de oba-oba com aroma de eucalipto. A proposta original da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) defendia que as plantas exóticas plantadas ocupassem no máximo 50% de uma propriedade. Até o mês passado, discutia-se no Conselho um limite de 30% em cada uma das 45 regiões em que foi dividido o Estado, sem teto por propriedade. Sabem qual o teor da proposta aprovada? Não há percentuais pré-determinados. Assim sendo, Stora Enso, Aracruz e VCP Celulose - as três maiores empresas interessadas na questão, donas de projetos que somam US$ 4,5 bilhões - podem plantar quantas árvores quiserem. O texto aprovado fala que cada caso terá uma avaliação específica... Desta forma, o governo garante que abusos serão coibidos. O documento que defende os interesses da governadora Yeda Crusius ainda menciona que o autor deste blog tem a cara e o corpo do Marlon Brando por ocasião das filmagem de "Um bonde chamado desejo". Interessados em conhecer meu portfolio audiovisual podem passar nas locadoras mais próximas de sua casa ou garimpar no Youtube.

Os ambientalistas alegam que a supressão dos limites libera a expansão das lavouras de árvores exóticas, o que pode causar sérios danos ao ecossistema nativo. O cultivo desenfreado alegra o raciocínio contábil da governadora, mas ameaça a sobrevivência de plantas e espécies animais em razão do elevado consumo de água por parte das árvores usadas na produção de celulose. Também reduz o espaço para circulação dos animais. Mas num Estado falido e governado de maneira arbitrária, de que valem argumentos ecológicos?

Marlon Brando, rogai por nós!



Escrito por Cacto às 12h42
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   A coragem e a importância da entrevista de Mário Corso

Acompanho com interesse o que a imprensa tem publicado sobre o suicídio do garoto Vinícius Gageiro Marques, o Yoñlu, que se matou com a ajuda de internautas quando tinha 16 anos, em 26 de julho de 2006, e transmitiu seu ocaso em tempo real. Minha atenção decorre do absurdo da história e também da curiosidade em saber como a mídia lida com a cobertura de um suicídio, tema tabu e habitualmente sem espaço na cobertura jornalística. A história ganhou visibilidade quando ZH publicou uma primeira reportagem, fruto de um intenso e cuidadoso debate interno para saber se o episódio viria à tona e de que maneira. Mais do que noticiar um suicídio, a idéia era fazer um alerta: atenção, adultos, atenção, pais, vocês sabem o que se passa quando as crianças ficam horas e horas imersas na internet? É claro, a internet não é a vilã, não deve ser satanizada a priori, mas não há dúvida de que ela é o ambiente onde pessoas sacanas, amorais, criminosas e perversas agem. Isto não é papo careta, isto é o mundo real. Por mais que se fale em virtualidade etc., a internet e seus sujeitos são tão reais quanto um pedófilo que age em um apartamento mofado.

Voltando ao Vinícius. Apareceu uma outra leva de material na imprensa quando descobriu-se que o garoto deixou um legado de 60 músicas gravadas que originaram um CD com 23 faixas. Houve cobertura em ZH e nas revistas Rolling Stones, Época e Aplauso (Aliás, não entendo por que o tema foi capa da Aplauso... não vejo problema em darem espaço ao assunto, mas capa, depois que o assunto já foi amplamente noticiado? Parece-me um erro de avaliação.) Fico pensando se não há uma tendência, neste caso, a se criar um mito, um herói, algo do tipo. A morte tem o poder de relativizar feitos da vida, sublimar erros ou dar um tratamento hiperbólico para personalidades e obras. Talvez algo parecido possa estar ocorrendo... Talvez o Gabriel, futuro orientando, responda a isso, já que ele pretende construir sua monografia sobre o tema.

De tudo o que saiu na imprensa, destaco aqui a entrevista que a Eliane Brum fez com o Mário Corso, psicanalista que tratava o garoto, publicada na edição de 11 de fevereiro da revista Época. A seqüência de perguntas e repostas é surpreendente. Revela um profissional lúcido, pesaroso, humano, saudoso e, sobretudo, corajoso por se expor, afinal, ele trata na entrevista sobre um paciente que se matou. Corso aceitou falar porque queria dar amplitude a um crime cometido por meio da internet, porque pretendia fazer um alerta, porque teve valentia e lucidez para dar luz a uma história tão eivada de horror e componentes ainda desconhecidos para boa parte das pessoas. Quem quiser ler a versão expandida da entrevista, no site da Época, clique aqui.



Escrito por Cacto às 12h13
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   Cada um faz o que quer com os dedos

Alguém sabe me explicar por que grande parte dos rapazes fotografados faz pose com os dedos? É, eles projetam a mão para frente, separam alguns dos dedos e esboçam uma cara que sugere "estou fazendo pose pra foto". No fundo, acho meio patético... mas e daí, né? Cada um faz o que quer com os dedos.

Escrito por Cacto às 11h34
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   Apaguem a tocha!

Maravilha: a tocha olímpica teve de ser apagada duas vezes no percurso planejado por Paris em razão das manifestações contrárias ao mando chinês no Tibete. Maravilha! Fala-se muito na força do esporte em unir os povos e tal. Pois sim, Jogos Olímpicos e Copa do Mundo são, na verdade, uma mega-über-hiper-farra dos anunciantes e dos comitês organizadores. Essa praga se espalha até mesmo para as versões mais minguadas. Alguém ainda se lembra da farra de dinheiro do Pan? Alguém sabe me dizer se algo vai ser feito contra os desmandos e as falcatruas do comitê que tramou o Pan no Brasil? A agora ainda vai ter Copa do Mundo por aqui... Consigo imaginar a felicidade dos Teixeiras da vida e sua corja da CBF. Mas voltando às Olimpíadas do chinaredo: já que a tocha é algo meramente simbólico, então que seja apagada, que seja molhada! Quando tudo é uma grande palhaçada, quando o papo de paz mundial soa tão pueril e raso, quero mais é que os símbolos dimensionem um pouco da farsa.

Escrito por Cacto às 12h34
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